A ideologia da Constituição Federal de 1988: o Estado como indutor ou espectador da economia?

Autores

  • Willian Gustavo Rodrigues Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Welliton Aparecido Nazário Faculdade de Direito do Sul de Minas

DOI:

https://doi.org/10.64568/rbinf.v15i28.1264

Palavras-chave:

Ordem econômica constitucional, Intervenção estatal, Livre iniciativa, Modelo híbrido

Resumo

O presente estudo propõe, de forma geral, examinar se há uma ideologia econômica subjacente na Carta de 1988 e qual é o impacto dessa orientação sobre a atuação estatal; especificamente, pretende (i) analisar os princípios constitucionais da ordem econômica (arts. 170 e seguintes), (ii) identificar circunstâncias históricas em que o Estado se comportou como agente indutor do desenvolvimento ou, alternativamente, como mero regulador, e (iii) sopesar a influência de correntes doutrinárias na interpretação do texto constitucional desde a sua promulgação e nas reformas subsequentes. Insere-se no contexto de redemocratização do país, momento em que se buscou conciliar a livre iniciativa com a função social da propriedade, razão pela qual se justifica investigar se a Constituição adotou efetivamente um modelo intervencionista, liberal ou híbrido. Metodologicamente, recorre-se ao método dedutivo, com pesquisa bibliográfica, pautada em doutrina especializada e legislação correlata sobre intervenção estatal na economia, à luz do neoconstitucionalismo e do conceito de regulação administrativa. A pesquisa tende a concluir que a Constituição de 1988 consagra um arranjo híbrido: preserva princípios liberais ao assegurar a livre concorrência, mas legitima a intervenção do Estado sempre que o interesse público e os direitos fundamentais assim o exigirem, resultando em um modelo flexível que permite oscilações entre atuação indutora e postura regulatória conforme as demandas políticas, econômicas e sociais do país.

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Biografia do Autor

Willian Gustavo Rodrigues , Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Doutorando e Mestre em Direito Administrativo pela Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pós-Graduado em Direito Público pela Damásio Educacional. Pós-Graduado em Direito Administrativo na Pontificia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Graduado em Direito pela Faculdade de Direito do Sul de Minas (FDSM).

Welliton Aparecido Nazário , Faculdade de Direito do Sul de Minas

Mestrando do programa de Pós-Graduação strictu sensu (2024/2026) na Faculdade de Direito do Sul de Minas - FDSM. Linha de pesquisa: Efetividade dos Direitos Fundamentais Sociais. Aluno da disciplina isolada Estado e Administração. Mestrando em Constitucional ista e Democracia pela Faculdade de Direito do Sul de Minas, com ênfase na efetividade dos direitos fundamentais sociais.

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Publicado

02.03.2026

Como Citar

RODRIGUES , W. G.; NAZÁRIO , W. A. A ideologia da Constituição Federal de 1988: o Estado como indutor ou espectador da economia?. Revista Brasileira de Infraestrutura|RBInf, Belo Horizonte: Fórum, v. 14, n. 28, p. 95–115, 2026. DOI: 10.64568/rbinf.v15i28.1264. Disponível em: https://www.rbinfdireito.com.br/index.php/rbinf/article/view/1264. Acesso em: 20 mar. 2026.